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sábado, 27 de novembro de 2010

Ode a Putrefacção

  Uma tempestade aproxima-se em consonância com o meu próprio estado de espírito, pois o meu lado sombrio revela-se, ganha corpo, como uma noite escura, sem luar, sem estrelas coberta pelas nuvens, carregadas de eletricidade que fulminam a terra com os seus raios e trovões, fazendo estremecer tudo a sua passagem, gerando uma energia tão negativa que vou absorvendo dentro de mim transmutando em ódio e raiva pelo próprio homem.
  Que ser tão inútil que caminha pela vida, uma simples mortal; fétida carcaça carnal, corrompida pela estupidez e ignorância, em que os seus actos a nada o levam pois se encontram desprovido de coerência, cheios de mentiras e hipocrisias, mas sentem se realizados nos seus rituais éfemeros com significados fúteis.   
  Questiono me para que se edifica direitos para proteger tal parasita, que não se respeita a ele próprio, onde ilusoriamente protege fracos e oprimidos, concedendo lhes uma existência precária, para satisfazer o mal colectivo da sobrevivência, indo contra os naturais dogmas de Gaia.
  Cria-se o sonho do evolucionismo a utopia de ascensão, transparencendo uma imagem de sapiência que no interior já apodreceu deixando-o oco, caminhando assim em direcção ao vazio, desprovido de auto-consciência.
  Mesmo dançando a beira do precipício nunca sede ao mesmo, onde a minha vontade e desejo é projecta lo para o abismo.
  Mas no meio de toda esta descrença, uma ideia me traz conforto, que no final destinado, a que este não é capaz de fugir, não passa de mais um pedaço de carne e quando o sopro da vida o abandonar, abraçado pela descomposição, não terá mais nenhum propósito à não ser alimentar os vermes que acompanham a morte.

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