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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dialogos Dissonantes

Queimo um cigarro, como quem fuma o tempo sem muito que pensar, deambulo por ruelas e ruas a procura do nada para matar horas e a medida que estas passam por mim a cidade vai escurecendo, adormecendo coberta pelo manto da noite. Deparo-me com grupos de seres em debandada, rumando para os seus territórios de habitus nocturnos. À imagem identifico-me com alguns e navego no seu encalço e nos seus jogos sociais depressa sou reconhecido como um deles a medida que vou tomando mais atenção, caio na desilusão que nada tenho a ver com estas entidades carnais que constroem ilusões para se sentirem integrados em algo mesmo no individualismo das suas personalidades vazias e desprovidas de coerência.
Constato o facto dessas mesmas existências, com os longos diálogos onde falam incessantemente com conteúdos ocos e fúteis, usando e abusando da oralidade, deturpando os conceitos e sentidos do nexus, criando mentiras e devaneios com os seus jogos de palavras. O bombardeamento incessante começa ecoar no meu cérebro com laminas que trespassam tudo aquilo que tomo por mais sagrado e puro; corrompem assim o sentido do pensamento e das acções e começo a ficar agoniado, com se desperta-se para podridão de inveja e arrogância que emana dessas carcaças mortais, que me torturam incessantemente, desejando libertar me, voar para longe.
Mas num breve instante que parece ser um presente eterno, como uma batida do coração, tudo termina e dou por mim na solidão, silencio que se torna meu refugio, meu éden. Onde recupero as minhas forças para encontros futuros, travar novas batalhas à procura do meu igual.

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