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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011


     Na avenida da vida percorro de mãos dadas com a pessoa que mais admiro, olho para cima e vejo a sua pele morena, de olhos ternos e vigilantes, alto vigoroso e firme, passamos entres os traseundes, que na azafama das suas preocupações, passam por nós desviando-se de um obstáculo, mas na qual a racionalidade é ignorada.
     De repente vindo do nada, sem perceber de onde veio uma multidão no meio de encontrões, safanões e empurrões dou por mim sozinho, olhando a minha volta só vejo desconhecidos, começo a recuar de vagar para uma ruela escura e húmida, num canto solitário, onde me sento com os joelhos em frente ao peito cruzando os braços a volta destes como se me protegem-se, cabisbaixo, olho para o chão a escassos milimetros a frente dos pés, como uma criança perdida e receosa, espero pacientemente por aquele ser familiar que me acompanhava, nas sombras vislumbro um silhueta idêntica corro em seu encontro mas depressa constacto que aquele pedestre nada tem haver, estocado na desilusão procuro semelhanças que não existem, retiro-me no isolamento recordo os momentos vividos entre nós, as palavras partilhadas.
     Como meu mentor ensinas te me olhar, observar, respeitando tudo aquilo que me rodeia, aceitando as diferentes mentalidades, interagindo assim com universo sem confrontos nem conflitos, onde me protegias deste mesmo partilhando a sua sabedoria comigo, que bem utilizada é um autentico escudo.
     Como amigo foste sempre leal, sincero deste me meios para poder ser independente, ouvias me aceitando me pelo que sou.
     Como família foste sempre o meu farol, uma luz na escuridão que apontava sempre o meu caminho para casa, o meu refugio erguido de amor incondicional.
     Mas como todos os seres, como todas as estrelas, como todas as chamas, são consumidas por Hades, definhando-se com o tempo extinguido o seu brilho, sem nada no horizonte perco o meu rumo e com o passar do tempo começa a crescer um vazio deixado por esta mesma ausência, saudades de um passado desfragmentado que foi abruptamente interrompido.
     O presente desabrocha fragilmente, com uma chama frívola, fria e negra, que não ilumina o meu espírito cansado de lutar para dar sentido a um trilho há muito perdido. Rendo me assim a vontade de ceder, ao vazio infinito ficando a pairar no repouso absoluto do silencio.

Dedicado ao meu tio

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