Nos maravilhosos longos e chuvosos dias de inverno, aguardo ansiosamente que o sol se ponha e que gélido frio do norte traga o manto escuro da noite onde a lua e as estrelas despertam e a cidade embriagada pela sonolência vai adormecendo e nesse instante procuro o mundo efémero onde os homens deambulam sem existência, onde te encontro e cruzamos palavras.
Palavra que constroem parte daquilo que somos, percepções residuais da vida, onde me identifico com o teu ser sabendo que não faço parte do teu "eu", sem saber se o fenómeno se dá do outro lado, e sem qualquer expectativa de o saber, porque só o momento por si só vale o prazer de conhecer outro ser que vai enriquecendo a minha alma, com a complacência e a sabedoria que desabrochou de um passado sofrido e sobrevivente resiste a dureza do presente, deixas a tua marca impressa em mim e se torna minha tentação, que me afasta do reino de morpheus.
Mesmo num universo tão redutor torno privilegio sagrado estes pequenos momentos, que no meio da multidão podíamos nos ter cruzado como dois espectros carnais sem percepção da nossa natureza, sem contemplar a existência um do outro, sem nos olharmos.
Distraídos e dispersos por um quotidiano fútil..........
Estas palavras são dedicas a uma amiga, espero que gostes?
07/11/10
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