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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ressuscitar de um olhar

                                                                                                                                                                                                                                                        
     Nos primeiros raios sol, abro os olhos para uma esplendoroso novo dia, decido explorar o mundo em que me rodeia, no trilho a minha volta aprecio uma maravilhosa paisagem de uma grandiosa civilização com as suas estruturas geometricamente arranjadas, mas quando me aproximo e começo a observar atentada-mente e deparo com ruínas e escombros de uma cidadela idílica.
     Questionando me que poderia causar tal destruição; no meio do entulho deparo me com agitação que traz a minha resposta, seres confrontando se selvaticamente.
     Desperto para dura realidade e em meu redor por todos os lados, aprecio coléricas batalhas em nome de um sentimento que o fraco vicio da carne desconhece; erguendo o estandarte do próprio egoísmo de uma forma tão mortal, desfazendo tudo a sua passagem com uma projecção de palavras mortalmente afiadas como facas que trespassam o espírito com se nada fosse; do próprio ser que dizem ser objecto do seu afecto; e nas feições se vê agonia das feridas abertas. De homens e mulheres de outrora que agora não passam de espectros.
     Naquele ambiente inóspito, na qual só sobrevivem entidades armadas com a razão e a lógica, distraio me com o mórbido festival e nas horas já passadas surge o escuro manto da noite onde as estrelas despertam com uma sádica e doentia luminosidade; no horizonte infinitamente negro vejo no fundo um brilho de humanidade.
     Quando me aproximo encontro uma pequena vida com potencial para ser muito mais do que aquela existência, mas com tantas mazelas dos confrontos sucessivos, que vejo nos seus meigos olhos o medo, o cansaço e a tristeza deste ciclo nefasto.
     Envolvo-a no meu manto negro ocultando-a daquele universo povoado de demência, criando um pequeno espaço de repouso e tranquilidade e vou nutrindo-a de felicidade e paz, revitalizando a sua essência. Onde ganha um novo brilho e coragem, libertando-a assim para uma nova alvorada.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011


     Na avenida da vida percorro de mãos dadas com a pessoa que mais admiro, olho para cima e vejo a sua pele morena, de olhos ternos e vigilantes, alto vigoroso e firme, passamos entres os traseundes, que na azafama das suas preocupações, passam por nós desviando-se de um obstáculo, mas na qual a racionalidade é ignorada.
     De repente vindo do nada, sem perceber de onde veio uma multidão no meio de encontrões, safanões e empurrões dou por mim sozinho, olhando a minha volta só vejo desconhecidos, começo a recuar de vagar para uma ruela escura e húmida, num canto solitário, onde me sento com os joelhos em frente ao peito cruzando os braços a volta destes como se me protegem-se, cabisbaixo, olho para o chão a escassos milimetros a frente dos pés, como uma criança perdida e receosa, espero pacientemente por aquele ser familiar que me acompanhava, nas sombras vislumbro um silhueta idêntica corro em seu encontro mas depressa constacto que aquele pedestre nada tem haver, estocado na desilusão procuro semelhanças que não existem, retiro-me no isolamento recordo os momentos vividos entre nós, as palavras partilhadas.
     Como meu mentor ensinas te me olhar, observar, respeitando tudo aquilo que me rodeia, aceitando as diferentes mentalidades, interagindo assim com universo sem confrontos nem conflitos, onde me protegias deste mesmo partilhando a sua sabedoria comigo, que bem utilizada é um autentico escudo.
     Como amigo foste sempre leal, sincero deste me meios para poder ser independente, ouvias me aceitando me pelo que sou.
     Como família foste sempre o meu farol, uma luz na escuridão que apontava sempre o meu caminho para casa, o meu refugio erguido de amor incondicional.
     Mas como todos os seres, como todas as estrelas, como todas as chamas, são consumidas por Hades, definhando-se com o tempo extinguido o seu brilho, sem nada no horizonte perco o meu rumo e com o passar do tempo começa a crescer um vazio deixado por esta mesma ausência, saudades de um passado desfragmentado que foi abruptamente interrompido.
     O presente desabrocha fragilmente, com uma chama frívola, fria e negra, que não ilumina o meu espírito cansado de lutar para dar sentido a um trilho há muito perdido. Rendo me assim a vontade de ceder, ao vazio infinito ficando a pairar no repouso absoluto do silencio.

Dedicado ao meu tio