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sábado, 27 de novembro de 2010

Ode a Putrefacção

  Uma tempestade aproxima-se em consonância com o meu próprio estado de espírito, pois o meu lado sombrio revela-se, ganha corpo, como uma noite escura, sem luar, sem estrelas coberta pelas nuvens, carregadas de eletricidade que fulminam a terra com os seus raios e trovões, fazendo estremecer tudo a sua passagem, gerando uma energia tão negativa que vou absorvendo dentro de mim transmutando em ódio e raiva pelo próprio homem.
  Que ser tão inútil que caminha pela vida, uma simples mortal; fétida carcaça carnal, corrompida pela estupidez e ignorância, em que os seus actos a nada o levam pois se encontram desprovido de coerência, cheios de mentiras e hipocrisias, mas sentem se realizados nos seus rituais éfemeros com significados fúteis.   
  Questiono me para que se edifica direitos para proteger tal parasita, que não se respeita a ele próprio, onde ilusoriamente protege fracos e oprimidos, concedendo lhes uma existência precária, para satisfazer o mal colectivo da sobrevivência, indo contra os naturais dogmas de Gaia.
  Cria-se o sonho do evolucionismo a utopia de ascensão, transparencendo uma imagem de sapiência que no interior já apodreceu deixando-o oco, caminhando assim em direcção ao vazio, desprovido de auto-consciência.
  Mesmo dançando a beira do precipício nunca sede ao mesmo, onde a minha vontade e desejo é projecta lo para o abismo.
  Mas no meio de toda esta descrença, uma ideia me traz conforto, que no final destinado, a que este não é capaz de fugir, não passa de mais um pedaço de carne e quando o sopro da vida o abandonar, abraçado pela descomposição, não terá mais nenhum propósito à não ser alimentar os vermes que acompanham a morte.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Caminhante das Sombras

A luz do luar entra no meu quarto onde sou banhado pelos seus raios de prata e o meu ser reage despertando.
No manto da noite estrelada, gélida como a minha própria consciência, caminho para um novo universo, que na realidade é o mais antigo, mas poucos tem percepção dele, onde tudo existe num espectro etéreo, sombrio; as formas iludem, pois nada é o que aparenta ser.
Caminho entre entidades fantasmagoricas, que se desprendem de qualquer conceito de moralidade, livres conseguem tocar nos desejos mais íntimos, manipular medos, navegar pelo tempo que existe como um perpetuo presente até ao infinito.
Macabramente mostram me a informação imortal,que de nada serve a não ser revelar a minha verdadeira natureza, tão escura e mórbida como este universo.
Aprendo a comunicar com estas entidades a observar as invisíveis e efémero teias que tudo ligam, ver as relações que ecoam pelas vida transpondo a barreira da morte, ficam cunhadas no próprio espírito.
Mas no despertar do corpo num novo dia, todo o conhecimento tomado torna-se consciente, apesar do aparente repouso o cansaço apodera-se, visto que em cada passagem por estes portais, fundem se os universos passando a ser o todo que sempre existiu num pulsar cósmico que se entranha no meu lado físico.
Um processo desgastante, que consome a minha energia, mas me enche de clareza; muitos que se acham duros e resistentes estremecem perante fugazes visões dessa mesma existência, questionando me como sou capaz; é simplesmente por gostar da verdade da minha própria natureza.

domingo, 21 de novembro de 2010

Icarus Renascido


Como todos os seres procuro o meu semelhante, mas como individuo sei que sou muito diferente da maioria, nessas longas procuras, vou livre como um predador alado, vendo o mundo, apreciando e admirando a sua beleza macabra, sim porque se o homem é capaz de actos de grande altroismo por outro lado também tem as acções mais atrozes e aterradoras contra ele próprio e os seus semelhantes onde demonstram falta de respeito por tudo os que rodeia, criam verdadeiros campos de batalha das suas vidas quotidianas, onde vão sucumbindo aos caprichos da arrogância e do ego, outros ainda se rendem a insanidade e mesmo os vitoriosos não se sentem realizados.
Mas sempre que encontro um ser de rara beleza desço em vou picado; órbitando em seu redor; contemplando a sua existência. Mas quando este se depara com a minha presença de natureza exótica, tenta me acompanhar, mas quando plano livre entre o céu e o inferno da própria humanidade, depressa se confronta com os seus medos e desejos, mais proibido onde se sente encalhado no seu moralismo sem se conseguir mover, no desespero grita e chora, pede me que pare. Vou ate ele tentando perceber estranho fenómeno, quando me aproximo sou agarrado, aprisionado.
Este contem-me tendo a falsa ilusão de que foi bem sucedido, exibindo-me como raro troféu.
Aguardo pacientemente por estarmos a sós, quando o momento assim se apresenta, emito o canto da verdade semelhante a de uma banshee, que corrói a sua fraca personalidade, fragilizado ai invisto sobre ele em rota de colisão trespassando o seu espírito onde se fragmenta, sem conseguir confrontar me liberta-me, ganho velocidade, ascendo as estrelas, tão rapidamente que entro em combustão tornando em poeira cósmica, onde renasço, como um fénix.
Rejuvenescido ganho forças para continuar a minha longa busca incessante.

sábado, 20 de novembro de 2010

O doce perfume da Eros e Acto falhado da Psique

1ª Parte

A Eros


Sentado no meu canto, distante da existência mundana, contemplo o silencio. Quando sou interrompido pela tua passagem, vens despreocupada, sorridente, com os teu sedosos cabelos livres, os teus olhos doces a tua pele de tonalidades de bronze, és voluptuosa, mas o que mais me desperta a focar toda a minha atenção em ti é algo que vibra dentro do teu próprio ser, inexplicável emana algo de esplendoroso que me atrai e seduz, com aproximação vou te conhecendo, contemplando a tua personalidade, admiro te, tornas te meu desejo, como és desejo de muitos outros.Mas depressa confronto a dura realidade, que não podemos existir fora do universo que nos unio, o das palavras, pois a colisão dos nossos dois mundos pessoais seria devastadora.
A verdade impera, mesmo gostando, desejando todo o teu ser, não te posso ter meu anjo da inocência, mas quando passas por mim sorrindo, logo esqueço tudo, és divina, tornas te meu Eros, o meu sonho que desce ao mundo e ganha forma terrena.
Cada momento passado contigo é como um paraíso idílico escondido num recanto da terra com mais doces frutos da tentação, que contemplo sem experimenta, pois não me pertencem, não profanando assim a tua pureza.
Mas depressa esse pouco momento secção, visto ironicamente o destino ter traçado caminhos destinos, apartado de ti. Tento não dar sentido a tua marca, mas a saudade fica e vai se entranhando no meu espírito, procuro te mas não te consigo alcançar, nem tocar no teu ser, agarro me a um espectro deixado por ti, que guardo num recanto da memória, com um bem precioso insubstituível.


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2º Parte


A Psique


Calmo e sereno confronto te, és pequena mas fogosa, dando luta demonstras espírito com garra, que vejo em pouco seres, despertas me a curiosidade, aproximo me vou te conhecendo, desvendas formas de pensar semelhantes, gostos comuns caminhos paralelos. Mesmo com uma imagem fragilizada de fraca constituição que não puxa por mim, és me familiar que traz um certo conforto a meu ente.
Consegues alimentar a minha insaciedade de conhecimento, onde a companhia traz um pouco de luz a minha mente tornas te minha Psique. Mas ao caminhar ao teu encontro depressa bato numa muralha intransponível construída de medos, curiosamente não foi edifica para te proteger de agressões exteriores, mas sim para não alcançar este mesmo, enclausuras-te no teu passado sofrido receando a dor da vida, perdes te dentro das tuas próprias teias, tornas te num acto falhado das tuas pretensões futuras.
Assim cresce a frustração em ti pela incapacidade de reagires ao mundo que não para, pulsando de energia e nessa raiva retalias para todos os lados onde me afasto de ti para poderes ter uma breve visão do teu destino. Visto que não pertenço a este.


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3ª Parte


A Eros e A Psique


Ambas juntas fazem me acreditar, saio do meu ser lunar, da escuridão que acho acolhedora e me envolve como um manto materno, de mãos dadas fazem dar os primeiros passos no raiar de uma nova alvorada, doem os olhos encandeados pela luz intensa, acreditando neste dois seres tão destinos, ganho uma nova crença na humanidade. Que dois seres tão ímpares e apolares fazem parte do me universo, um no campo do desejo, outro no campo de lógicos, onde contemplo os dois pacientemente, não criando duvidas da sua existência, porque coexistem em planos destinos, onde outro não chega. Assim sendo o meu sentimento é genuíno pelas duas.
Mas sem me aperceber ou antecipando tal comportamento a Psique manifesta ciumes face a Eros, exigindo mais atenção a sua volta e a Eros tem ciumes de tudo o que lhe rodeia sem repara que todos os meus sentidos estão focados na sua existência.
Questiono me dos sentidos desta acções, visto que a Eros me afaste e se torna inacessível, por outro lado a Psique suga me para o seu buraco negro. Longe do meu desejo cansado, tento me recolher para o intimo do meu ser.
Retraindo me devasto tudo a minha passagem, que foi anteriormente edificado por ambas, no afastamento solitário, perco a fé no homem, a descrença ganha terreno, triunfante sobre o meu próprio ser; refugio me nas sombras e nem mesmo com os gritos harpianos de Psique que ecoam na minha mente ou como a ligeira brisa de verão que transporta o doce aroma da Eros, me fazem demover do meu universo demoniacamente apaziguador.

 




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Sentimento Ancião

Acordo sobressaltado na noite que já vai longa onde à insónia desperta em mim não me deixando repousar, o lado mais negro do meu ser manifesta-se, questionando e torturando-se no dilema mais ilógico e profundo do desejo, o amor, a procura das respostas de um sentimento, este que só pode ser vivido, como um todo sem condicionalismos.
Selvagem, primitivo como uma besta furiosa impossível de conter, sendo uma força em bruto transborda da fonte, que pode destruir universos, quando estes se encontram, tentando existir no mesmo ponto.
Perco-me solitariamente num deserto vasto e desolador que é a realidade desta mesma emoção, no abandono cruzo me com os pouco seres existentes, procurando o refugio reconfortante da compaixão de um anjo da perdição, que me proteja, me nutra de um carinho incondicional.
Mas sem a presença desse ser continuo a deambular erradicamente há procura de um sinal, atravessando tempestades de areia, que como um inimigo fantasmagorico, impossível de confrontar, me trespassa abrindo pequenos arranhões insignificantes, mas acumulados vão criando grandes manifestações de golpes profundos e nas gélidas e sombrias horas nocturnas o frio morde as feridas que consome as poucas energias que disponho, rendo me a este território inóspito, aninho me deixando os sonhos morrer dentro de mim, sem esperança de encontrar o espaço onde pertenço, enjaulado no meu próprio existencialismo, exausto depressa sossego na vazia solidão, o silencio impera ecoando pelo infinito, onde me perco no esquecimento, até um novo despertar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Perverso Sentimento

O meu ser vagueia solitário no mundo das emoções procura entender este mesmo universo com principio cáotico e sem lei, onde é imprecetivel o bem e mal e cada ser estabelece as suas regras, funcionalmente ilógico, onde sou totalmente disfuncional.
Observo as interacções complexas entre os seus participantes, jogos de sedução que mais parecem autenticas peças teatrais onde se criam e recriam personas para agradar os intervenientes e se projectam ilusões comportamentais que levam antecipar um final feliz, mas depressa aparece a febre que sobe, doença atacando com ciumes, invejas, exigências a que chamam de amor, infecta o espírito, começando a corromper tudo o que foi prometido e edificado, o mundo fica virado do avesso que agora dá lugar a uma verdadeira tragédia.
A batalha eminente onde se confrontam para ganhar uma razão impossível de comprovar visto que na anarquia apenas o comportamento impera como arma de agressão, tentando destruir os egos sendo um acto inglório mesmo quem sai vitorioso depressa sente o sabor amargo desta, pois as marcas criadas permanecem na memória vivida do momento. Afinal que sentimento viral é este que muitos na humanidade procuram viver?
Um fraco reflexo de uma emoção pura que foi degenerada ao longo de gerações.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dialogos Dissonantes

Queimo um cigarro, como quem fuma o tempo sem muito que pensar, deambulo por ruelas e ruas a procura do nada para matar horas e a medida que estas passam por mim a cidade vai escurecendo, adormecendo coberta pelo manto da noite. Deparo-me com grupos de seres em debandada, rumando para os seus territórios de habitus nocturnos. À imagem identifico-me com alguns e navego no seu encalço e nos seus jogos sociais depressa sou reconhecido como um deles a medida que vou tomando mais atenção, caio na desilusão que nada tenho a ver com estas entidades carnais que constroem ilusões para se sentirem integrados em algo mesmo no individualismo das suas personalidades vazias e desprovidas de coerência.
Constato o facto dessas mesmas existências, com os longos diálogos onde falam incessantemente com conteúdos ocos e fúteis, usando e abusando da oralidade, deturpando os conceitos e sentidos do nexus, criando mentiras e devaneios com os seus jogos de palavras. O bombardeamento incessante começa ecoar no meu cérebro com laminas que trespassam tudo aquilo que tomo por mais sagrado e puro; corrompem assim o sentido do pensamento e das acções e começo a ficar agoniado, com se desperta-se para podridão de inveja e arrogância que emana dessas carcaças mortais, que me torturam incessantemente, desejando libertar me, voar para longe.
Mas num breve instante que parece ser um presente eterno, como uma batida do coração, tudo termina e dou por mim na solidão, silencio que se torna meu refugio, meu éden. Onde recupero as minhas forças para encontros futuros, travar novas batalhas à procura do meu igual.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A inolvidavel existencia do meu ser ( Punkita )

Desperto dorido, atordoado, ergo-me e olho para o horizonte, onde vislumbro o mais duro campo de batalha exausto deambulo entre corpos inertes, restos de um tempo de uma vida que não resistiram a mais dura aprovação da vitória.
Sem saber o caminho, sem saber o que procurar, sempre a espera de um lugar para repousar, mas com medo de parar e sucumbir aos caprichos do esquecimento luto com o meu próprio ser para não ceder a exaustão.
Trespassado pelo frio como agulhas que penetram na pele impiedosas, e peso do calor tortura o corpo, criando a pressão de quem carrega as correntes do pathos, torno me andarilho errante, sem destino, numa vasta planice de sentimentos, caminhando para um deserto de inveja humana num mar de seres ocos e superficiais. O fardo da sobrevivensia torna-se mais pesado em cada passo dado a vida ganha um sabor azedo, corrompendo a alma e a humanidade que resta neste ser deambulante e cronos na sua fúria intemporal trespassa implacável, desgastando as formas à sua passagem, voltando estas ao pó que com uma brisa é levado e espalhado no infinito da memória...

domingo, 7 de novembro de 2010

Peregrino

Percorro o trilho dos Deuses a procura da mais pura das verdades, caminho de muitas gerações, pisado e repisado pelos mais variados seres e homens. Analiso as pegadas vendo o caminho dos outros que agora se torna meu, mas já diferente aos meus olhos. Solitário pessoal, individual como a minha própria existência, mesmo acompanhado na presença de outros e nas memórias de outrora.
E a medida que avanço sinto me como um entidade infantil que brinca no recreio, mas envelhecido na tradição e costumes, comportamentos de uma época passada e já esquecida. Na dureza do percurso aqueles que estão ao meu lado vão desaparecendo e cada vez mais de deparo com o esforço transformado em estátuas dos caminhantes antigos que foram sucumbindo a própria realidade do seu seu ser, com vergonha e medo dos seus reflexos mais íntimos.
Chegando ao destino como um pequeno rebelde irrequieto deparo me com seres divinos, dementes e definhados no oblevion, onde já não chega a percepção do mundo que os rodeia e as sua volta floresta de homens santos, já sem qualquer folgo de humanidade e na decadência desta verdade, o meu pequeno ser questiona-se:
É por estas divindades que se travam guerras santas?
Se cometem as mais horríveis atrocidades em nome deles?
Afinal onde é deposita a fé de tantos seres?
Sem respostas, mas com uma percepção da verdade divina volto ao principio, ao amor e vida onde reside felicidade; parcial verdade do presente.

Espectros da noite

Nos maravilhosos longos e chuvosos dias de inverno, aguardo ansiosamente que o sol se ponha e que gélido frio do norte traga o manto escuro da noite onde a lua e as estrelas despertam e a cidade embriagada pela sonolência vai adormecendo e nesse instante procuro o mundo efémero onde os homens deambulam sem existência, onde te encontro e cruzamos palavras.
Palavra que constroem parte daquilo que somos, percepções residuais da vida, onde me identifico com o teu ser sabendo que não faço parte do teu "eu", sem saber se o fenómeno se dá do outro lado, e sem qualquer expectativa de o saber, porque só o momento por si só vale o prazer de conhecer outro ser que vai enriquecendo a minha alma, com a complacência e a sabedoria que desabrochou de um passado sofrido e sobrevivente resiste a dureza do presente, deixas a tua marca impressa em mim e se torna minha tentação, que me afasta do reino de morpheus.
Mesmo num universo tão redutor torno privilegio sagrado estes pequenos momentos, que no meio da multidão podíamos nos ter cruzado como dois espectros carnais sem percepção da nossa natureza, sem contemplar a existência um do outro, sem nos olharmos.
Distraídos e dispersos por um quotidiano fútil..........

Estas palavras são dedicas a uma amiga, espero que gostes?
07/11/10