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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Sentimento Ancião

Acordo sobressaltado na noite que já vai longa onde à insónia desperta em mim não me deixando repousar, o lado mais negro do meu ser manifesta-se, questionando e torturando-se no dilema mais ilógico e profundo do desejo, o amor, a procura das respostas de um sentimento, este que só pode ser vivido, como um todo sem condicionalismos.
Selvagem, primitivo como uma besta furiosa impossível de conter, sendo uma força em bruto transborda da fonte, que pode destruir universos, quando estes se encontram, tentando existir no mesmo ponto.
Perco-me solitariamente num deserto vasto e desolador que é a realidade desta mesma emoção, no abandono cruzo me com os pouco seres existentes, procurando o refugio reconfortante da compaixão de um anjo da perdição, que me proteja, me nutra de um carinho incondicional.
Mas sem a presença desse ser continuo a deambular erradicamente há procura de um sinal, atravessando tempestades de areia, que como um inimigo fantasmagorico, impossível de confrontar, me trespassa abrindo pequenos arranhões insignificantes, mas acumulados vão criando grandes manifestações de golpes profundos e nas gélidas e sombrias horas nocturnas o frio morde as feridas que consome as poucas energias que disponho, rendo me a este território inóspito, aninho me deixando os sonhos morrer dentro de mim, sem esperança de encontrar o espaço onde pertenço, enjaulado no meu próprio existencialismo, exausto depressa sossego na vazia solidão, o silencio impera ecoando pelo infinito, onde me perco no esquecimento, até um novo despertar.

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