1ª Parte
A Eros
Sentado no meu canto, distante da existência mundana, contemplo o silencio. Quando sou interrompido pela tua passagem, vens despreocupada, sorridente, com os teu sedosos cabelos livres, os teus olhos doces a tua pele de tonalidades de bronze, és voluptuosa, mas o que mais me desperta a focar toda a minha atenção em ti é algo que vibra dentro do teu próprio ser, inexplicável emana algo de esplendoroso que me atrai e seduz, com aproximação vou te conhecendo, contemplando a tua personalidade, admiro te, tornas te meu desejo, como és desejo de muitos outros.Mas depressa confronto a dura realidade, que não podemos existir fora do universo que nos unio, o das palavras, pois a colisão dos nossos dois mundos pessoais seria devastadora.
A verdade impera, mesmo gostando, desejando todo o teu ser, não te posso ter meu anjo da inocência, mas quando passas por mim sorrindo, logo esqueço tudo, és divina, tornas te meu Eros, o meu sonho que desce ao mundo e ganha forma terrena.
Cada momento passado contigo é como um paraíso idílico escondido num recanto da terra com mais doces frutos da tentação, que contemplo sem experimenta, pois não me pertencem, não profanando assim a tua pureza.
Mas depressa esse pouco momento secção, visto ironicamente o destino ter traçado caminhos destinos, apartado de ti. Tento não dar sentido a tua marca, mas a saudade fica e vai se entranhando no meu espírito, procuro te mas não te consigo alcançar, nem tocar no teu ser, agarro me a um espectro deixado por ti, que guardo num recanto da memória, com um bem precioso insubstituível.
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2º Parte
A Psique
Calmo e sereno confronto te, és pequena mas fogosa, dando luta demonstras espírito com garra, que vejo em pouco seres, despertas me a curiosidade, aproximo me vou te conhecendo, desvendas formas de pensar semelhantes, gostos comuns caminhos paralelos. Mesmo com uma imagem fragilizada de fraca constituição que não puxa por mim, és me familiar que traz um certo conforto a meu ente.
Consegues alimentar a minha insaciedade de conhecimento, onde a companhia traz um pouco de luz a minha mente tornas te minha Psique. Mas ao caminhar ao teu encontro depressa bato numa muralha intransponível construída de medos, curiosamente não foi edifica para te proteger de agressões exteriores, mas sim para não alcançar este mesmo, enclausuras-te no teu passado sofrido receando a dor da vida, perdes te dentro das tuas próprias teias, tornas te num acto falhado das tuas pretensões futuras.
Assim cresce a frustração em ti pela incapacidade de reagires ao mundo que não para, pulsando de energia e nessa raiva retalias para todos os lados onde me afasto de ti para poderes ter uma breve visão do teu destino. Visto que não pertenço a este.
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3ª Parte
A Eros e A Psique
Ambas juntas fazem me acreditar, saio do meu ser lunar, da escuridão que acho acolhedora e me envolve como um manto materno, de mãos dadas fazem dar os primeiros passos no raiar de uma nova alvorada, doem os olhos encandeados pela luz intensa, acreditando neste dois seres tão destinos, ganho uma nova crença na humanidade. Que dois seres tão ímpares e apolares fazem parte do me universo, um no campo do desejo, outro no campo de lógicos, onde contemplo os dois pacientemente, não criando duvidas da sua existência, porque coexistem em planos destinos, onde outro não chega. Assim sendo o meu sentimento é genuíno pelas duas.
Mas sem me aperceber ou antecipando tal comportamento a Psique manifesta ciumes face a Eros, exigindo mais atenção a sua volta e a Eros tem ciumes de tudo o que lhe rodeia sem repara que todos os meus sentidos estão focados na sua existência.
Questiono me dos sentidos desta acções, visto que a Eros me afaste e se torna inacessível, por outro lado a Psique suga me para o seu buraco negro. Longe do meu desejo cansado, tento me recolher para o intimo do meu ser.
Retraindo me devasto tudo a minha passagem, que foi anteriormente edificado por ambas, no afastamento solitário, perco a fé no homem, a descrença ganha terreno, triunfante sobre o meu próprio ser; refugio me nas sombras e nem mesmo com os gritos harpianos de Psique que ecoam na minha mente ou como a ligeira brisa de verão que transporta o doce aroma da Eros, me fazem demover do meu universo demoniacamente apaziguador.